No coração de Lisboa, um palácio barroco do século XVIII, outrora ecoando vozes de estudantes do Liceu da Rainha Dona Amélia, renasceu como templo da arte contemporânea.
Mas esta história começa muito antes das suas paredes douradas, por vontade e obra de Armando Martins.
Com dezoito anos, comprou a primeira serigrafia!
Corria 1974, e Portugal estava à beira da liberdade. Nesse mesmo ano, um quadro abstrato de Rogério Ribeiro marcou o início de uma paixão que se tornaria destino.
Décadas depois, a colecção cresceu como quem constrói uma narrativa. Em 2007, Martins encontrou o palco perfeito: o Palácio dos Condes da Ribeira Grande.
Reabilitado com rigor e ousadia, o edifício barroco ganhou uma pele contemporânea, azulejos tridimensionais que brilham como fragmentos de luz.
Em Março de 2025, abriu portas como o primeiro museu-hotel cinco estrelas da Europa – um conceito que mistura contemplação e experiência, onde a arte não se limita às paredes, mas invade corredores, quartos e até a garagem.
Com a simpatia e o conhecimento do Miguel Soromenho, entrámos no MACAM e percorremos dois tempos: nas galerias do palácio, obras que contam a história da pintura portuguesa, de Amadeo de Souza-Cardoso a Júlio Pomar e diálogos visuais que cruzam geografias e linguagens com vozes globais como Marina Abramović ou Olafur Eliasson, que trouxeram ao acervo o sopro inquieto do mundo.
No jardim, esculturas repousam junto ao espelho-de-água, como se o tempo ali se detivesse.
O MACAM não é apenas um espaço expositivo. É uma experiência, o gesto de quem acredita em que a arte deve ser vivida, não apenas vista. Um lugar onde passado e futuro se encontram, e onde cada visitante escreve, sem saber, mais uma linha desta crónica.
Obrigada, Grupo Desportivo por estas iniciativas e por nos levar a conhecer o que de melhor temos em Portugal!
Por Márcia Matos, 13-2-2026
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