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Entre o sagrado e a celebração
Dois palcos, uma só alma

Houve algo de especial nestes dias em que o nosso Orfeão PortusCale levou a música a dois palcos tão próximos geograficamente, mas tão distintos na sua alma às igrejas de Ermesinde e Alfena. Dois momentos, duas atmosferas, uma só identidade: a de um grupo que canta mais do que notas, canta comunidade.

Na Igreja de Ermesinde, o ambiente impunha respeito logo à entrada, pois este era um concerto solidário e todos queriam contribuir para os mais desfavorecidos. A pedra antiga da igreja, o silêncio denso e aquela luz filtrada pelos vitrais criavam um cenário quase suspenso no tempo. Quando as primeiras vozes se elevaram, já acompanhadas pela Banda Musical de Alfena, não foi apenas música que se ouviu: foi uma espécie de diálogo íntimo entre coro, instrumentos e espaço.

Sob a direcção do maestro Hélder Magalhães e com o tenor Sérgio Martins cada entrada surgia com precisão e sensibilidade, permitindo que cada acorde ganhasse outra dimensão, como se a própria igreja respondesse, devolvendo o som mais rico, mais profundo. Houve instantes em que o público mal respirava, consciente de que estava a viver algo raro: a fusão perfeita entre vozes e instrumentos, e um lugar carregado de memória.

Em Alfena, o registo manteve a qualidade musical, mas ganhou uma energia diferente mais aberta, mais festiva, mais próxima das pessoas. Mais uma vez com o acompanhamento da Banda Musical de Alfena e sob a direcção do mesmo maestro, o espectáculo revelou uma cumplicidade ainda mais evidente entre todos os intérpretes. O diálogo entre coro e banda tornou-se mais expansivo, com momentos em que as vozes se entrelaçavam com os metais e as madeiras, criando uma sonoridade rica e envolvente que rapidamente conquistou o público.

Foi particularmente bonito perceber como, em ambos os concertos, a direcção do maestro Hélder Magalhães e o com o tenor Sérgio Martins conseguiram equilibrar rigor e emoção, conduzindo cada peça com clareza, mas também com espaço para a expressão individual e colectiva. Não era apenas execução; era partilha musical.

No final, ficou a sensação de missão cumprida não apenas pela qualidade das actuações, mas pelo impacto criado em quem ouviu. Porque mais do que dois concertos, foram dois encontros com a música, com os espaços, e sobretudo com as pessoas.

E talvez seja isso que define verdadeiramente o nosso Orfeão: a capacidade de se adaptar, de sentir cada palco e de transformar cada actuação numa experiência única. Em Ermesinde, tocou-se o íntimo com profundidade. Em Alfena, celebrou-se o colectivo com entusiasmo.
Em ambos, fez-se o que melhor sabemos: cantar com alma, lado a lado com quem partilha a paixão pela música.

Uma palavra de reconhecimento para o maestro e o tenor Sérgio Martins, que elaborou os arranjos musicais para as peças interpretadas pela Banda Musical de Alfena.

Por José Caldas, 11-05-2026




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